Eu escrevi um texto falando que o campus da Unicamp daqui de Campinas (e por extensão o distrito de Barão Geraldo) sofre com o índice cada vez mais alto de criminalidade. Roubos, assaltos, sequestros relâmpagos e até tentativas de estupro.
E que, apesar de tudo, ninguém tomou providência nenhuma. Nem a polícia entrou no campus, nem a segurança terceirizada do campus fez algo, nem o reitor (ou prefeitura do campus ou o governador motosserra) lançou concurso público para a contratação de seguranças e nem os demais órgãos da Unicamp (DCE, sindicato dos trabalhadores, CONSU, associação de docentes, centros acadêmicos) fizeram algo.
Corrijam. Não tinham tomado providência nenhuma. Depois de muito tempo, a polícia entrou no campus.
Para cuidar do problema da violência, Lucho?
Que nada! O que a polícia foi fazer no campus foi investigar a respeito do gravíssimo crime da cópia de livros. A segurança pode ficar para depois. O DIG (Delegacia de Investigações Gerais) e policia invadiram um ponto de xerox e apreenderam diversas cópias. Para maiores informações, leia esse texto.
Pois é. Ao invés de se preocupar com a escalada da criminalidade que tem acontecido no campus e fornecer segurança para alunos, professores, visitantes e funcionários, os órgãos da polícia se preocupam com essa BOBAGEM (escrevo BOBAGEM assim mesmo, com todas as letras em maiúsculo).
E os policiais querem que os estudantes façam o que? São poucos os exemplares que se tem de determinados títulos, e alguns títulos nem são mais lançados (a ponto de não achar nem nos sebos), a universidade não consegue (ou não quer?) comprar mais exemplares, e os mesmos, na maior parte das vezes são caros, e olha que não incidem impostos sobre livros. Pelo menos dessa vez o governo não tem culpa pelo alto preço. Aqui vai a pergunta de 1 milhão: O que sobra para os estudantes, então?
Acertou quem disse: Tirar xerox (que fique bem claro que eu não estou fazendo propaganda da empresa).
Mas a gente entende, não é mesmo? Esse tipo de coisa prejudica o faturamento dos donos e acionistas das grandes editoras de livros (não sei nem se não foram elas que acionaram a polícia). Então, para esse pessoal que vai deixar de faturar, os xerocadores e quem compra as cópias são tão criminosos quanto sequestradores, assaltantes, traficantes ou estupradores. Lembram daquele texto em que eu disse que as indústrias cinematográfica e fonográfica adoram tocar o terror? Pois é, inclua agora as editoras de livros.
É por situações como essas que a gente tem que concordar com algumas críticas que o pessoal do movimento estudantil faz à polícia.
E, mudando completamente de assunto, em notícias como essa sempre surge a ideia de distribuir e-readers para os universitários. Será que daria certo isso? O governador do futuro quis fazer isso na Califórnia.
Não necessariamente precisa ser um Kindle. Existem alternativas que usam o Android, ou então há versões nacionais. Resta saber se essas grandes editoras topariam digitalizar os seus títulos.
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2 comentários:
Perguntem a qq aluno de Química: "Vc gostaria do Análise Qualitativa Orgânica do Vogel?"
Alunos e profissionais matam para ter esse livro, só que está esgotado. Assim, eu estou violando direito autoral de quem? Ok, me mostrem onde posso comprar. Não tem pra vender? Então fodam-se! Eu precisei de muitos livros (alguns nem que fosse para um simples capítulo). E na minha época não havia internet e pranchetinha mágica como o Kindle só no filme 2001. Só na base da xerox, mesmo. Livros são caros e difíceis de achar. Os e-books são a salvação da lavoura das editoras.
Convenhamos, qual o custo para produzir um e-book? Infinitamente menor do que se for imprimir (papel, plástico, papelão, tinta, maquinário, funcionários etc). A Amazon está com um índice de vendas de e-books que está superando os livros em papel (que não ocupam espaço e não te fazem ter problema na coluna). Mas os leitores ainda são caros (Alô, Deal Extreme!). E se for crime, SO WHAT?
Prevejo que toda semana um destacamento de meganhas irão até a UNICAMP para recolher. Não xerox de livros, mas um percentualzinho e tudo ficará por isso mesmo. por isso, segue o adágio daqui do Rio: O que diferencia polícia de bandido é que só um usa farda.
@André: "Perguntem a qq aluno de Química: "Vc gostaria do Análise Qualitativa Orgânica do Vogel?"
Alunos e profissionais matam para ter esse livro, só que está esgotado. Assim, eu estou violando direito autoral de quem? Ok, me mostrem onde posso comprar. Não tem pra vender? Então fodam-se! Eu precisei de muitos livros (alguns nem que fosse para um simples capítulo). E na minha época não havia internet e pranchetinha mágica como o Kindle só no filme 2001. Só na base da xerox, mesmo. Livros são caros e difíceis de achar."
Pois é. Foi essa a pergunta que eu fiz no texto. Gostaria que os policiais, os políticos, reitores e demais pessoas dissessem aos alunos o que fazer quando acontece de não ter um determinado livro.
Como não dizem nada, é só na base do xerox mesmo.
"Os e-books são a salvação da lavoura das editoras.
Convenhamos, qual o custo para produzir um e-book? Infinitamente menor do que se for imprimir (papel, plástico, papelão, tinta, maquinário, funcionários etc). A Amazon está com um índice de vendas de e-books que está superando os livros em papel (que não ocupam espaço e não te fazem ter problema na coluna). Mas os leitores ainda são caros (Alô, Deal Extreme!). E se for crime, SO WHAT?"
Penso da mesma maneira. Por que as editoras de livros não abrem os olhos para essa nova realidade?
"Prevejo que toda semana um destacamento de meganhas irão até a UNICAMP para recolher. Não xerox de livros, mas um percentualzinho e tudo ficará por isso mesmo. por isso, segue o adágio daqui do Rio: O que diferencia polícia de bandido é que só um usa farda."
Agora foi na Unicamp. Mas depois pode ser na Usp, Unesp, Ufrj, Ufrrj e outras universidades.
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