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Claro que religião e política se misturam.

Essa frase eu já disse umas 82351551286026593659 vezes no ano passado, mas será a primeira vez que eu digo esse ano: Candidato a algum cargo político que fala no nome de Deus, ou que tem apoio de igrejas, ou então que use as religiões como cabedal para campanha política vai para o meu livrinho negro de pessoas que eu nunca votarei na vida. Esse pessoal, assim que se elege, são os primeiros a meterem a mão no nosso dinheiro, a entrarem em esquemas de corrupção. Ou então legislam em causa própria, facilitando a vida de religiosos e igrejas.

Lendo esse texto do Gilberto GibaNet, me deparei com mais um fato em que é misturado religião com política e fato esse que foi publicado por outros blogs espalhados por aí. Em Belém, foi aprovado um projeto de lei instituindo o dia do dizimista. Não, não é mentira e quem quiser saber pode ler o texto abaixo:
LEI nº 8.664 DE 27 DE JANEIRO DE 2009.
"Dispõe sobre a criação do Dia Municipal do Dizimista e ofertante no Município de Belém, e dá outras providências".

O PREFEITO MUNICIPAL DE BELÉM,

Faço saber que a CÂMARA MUNICIPAL DE BELÉM, estatui e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Fica criado com méritos na cidade de Belém, capital do Estado do Pará, o Dia Municipal do Dizimista e do Ofertante cristão consciente, a comemorar no dia 18 de maio de cada ano.

Art. 2º VETADO.

Art. 3º Estabelece que no decorrer das comemorações referidas ao evento, seja divulgado em alto e bom som o que está escrito da Bíblia Sagrada no livro de Malaquias cap. 3 vol. 10, que diz: "Trazei todos os dízimos à Casa do Tesouro para que haja mantimento na minha casa…", e também o que está escrito no mesmo livro no cap. 3 vol. 18: "Então vereis a diferença entre o que serve a Deus e o que não o serve"

Art. 4º. Ficará por conta e responsabilidade das emissoras de comunicação ligadas ou pertencentes às igrejas cristãs, a divulgação dos ensinamentos abaixo relacionados:
§ 1º Conscientizar a membrasia das igrejas cristãs em geral;
§ 2º Aconselhar e disciplinar a igreja a respeito do assunto;
§ 3º Estimular o povo cristão mostrando a necessidade da prática de ofertar e dizi­mar por parte do cidadão, praticante ou não.

Art. 5º As igrejas cristãs ficam com a missão de encorajar o povo a praticar a entrega ou devolução de dízimos e ofertas como prova da obediência no que ensina a Constituição divina, a "Bíblia Sagrada", a palavra de Deus que é o bálsamo para o coração da família.

Art. 6º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

PALÁCIO ANTONIO LEMOS, 27 DE JANEIRO DE 2009

Duciomar Gomes da Costa
Dia do dizimista??!! Antes fosse dia do crente. Ou dia do evangélico. Ou dia da cristandade. Mas, dia do "dizimista e do cristão ofertante consciente"?? E o pior é que essa porcaria de dia (18 de maio), vai ser considerado ponto facultativo nas repartições públicas de Belém a partir desse ano.

Só que uma coisa que eu vi (aliás, não vi) nas notícias a respeito dessa lei foi o vereador autor desse projeto de lei. Sim, pois, além de dar nomes a ruas e pedir para que sejam lidos trechos da bíblia antes das sessões, os edis também criam "datas especiais". Pesquisando no google (já que a página da Câmara dos vereadores de Belém é uma completa bosta. Não tem informação alguma), descobri as informações que eu queria. No diário oficial do município de 29 de janeiro (página 2), vi que o projeto de lei que deu origem a essa lei é o PL 038/2008, de autoria do infeliz vereador Paulo Mardock.

E, pesquisando mais um pouco no google, descobri o que já era esperado. O vereador Paulo Mardock é mais um político evangélico que infesta o legislativo brasileiro. E além de infestar o lesgislativo, também faz o que todo político evangélico fez, faz ou fará: Discriminar homossexuais.

Aliás, infestava, pois ele não se re-elegeu. Só que, assim como ele saiu, quatro colegas dele entraram para a câmara, com direito a um tal de "Cobrador Pregador". Fico imaginando os eleitores que deram o seu voto para essa pessoa.

Como pode ver, mais uma vez um político evangélico legislando em causa própria. Aliás, e que causa própria, hein? Nessa invasão epidêmica que temos de programas evangélicos nas emissoras de televisão e de rádio (e com direito a várias rádios piratas evangélicas espalhadas pelo país; e rádio pirata é coisa de criminoso. E antes que digam, rádio pirata é diferente de rádio comunitária, ou rádio livre), já tem muito pastor e bispo se referindo aos evangélicos como "meus fiéis dizimistas", ou "meus caros dizimistas". É isso mesmo. Nada de "meus irmãos", "meus caros", "meus queridos". Agora é "meus dizimistas". Até escrevi um texto a respeito disso. Uma lei como essa é tudo que esses picaretas bispos e pastores mais precisam. Eu tenho medo que outros políticos evangélicos decidam fazer o mesmo em seus municípios. Ou até mesmo eu seus estados. Ou até mesmo no país.

E depois dizem que eu fico de perseguição com esse pessoal.
 

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