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Ufanista? Eu? Imagina!

Aquele texto que eu escrevi sobre a "carta" da escritora holandesa a respeito do Brasil ainda rende alguns dividendos. Alguns comentários de gente concordando com as contra-respostas, outras pessoas comentando e confirmando como é a vida na Holanda e que tudo que está na carta não passa de baboseira, texto que confirma mais ainda que essa carta é um embuste e uma divulgação no orkut, numa comunidade de brasileiros que moram na Holanda (mais precisamente aqui).

E também, como era de se esperar, recebi alguns comentários irados de gente que me xingou de tudo que era possível. Como eu não ganho para ser xingado, eu removi esses comentários.

Mas num desses comentários, foi deixado um poema, ou música, ou sei-lá-o-quê. Aí vai o que eu recebi:
Não fale mal do meu país
Da minha gente e esse povo varonil
Fale da França, da Italia ou da Espanha
Da Russia ou da Alemanha,
Mas não fale do Brasil

Fale da França, da Italia ou da Espanha
Da Russia ou da Alemanha
Mas não fale do Brasil

O mundo inteiro está com dor de cotovelo
Porque somos tetracampeões no futebol
O recife é a capital do Frevo
Caruaru é a capital do forró

São Paulo e Rio é berço de musicas sertanejas
Belém do Pará é a capital do carimbó
E a Bahia é o Olundo e Afoxé
Falem mal de quem quiser,
Mas o Brasil ainda é melhor

Não fale mal do meu país
Da minha gente e esse povo varonil
Fale da França, da Italia ou da Espanha
Da Russia ou da Alemanha,
Mas não fale do Brasil

Não fale mal do meu país
Da minha gente e esse povo varonil
Fale da França, da Italia ou da Espanha
Da Russia ou da Alemanha,
Mas não fale do Brasil

Não fale mal de um país igual ao nosso
Porque existe um pouco de inflação
Em toda parte do mundo existe favela
Meninos de rua, corrupição e ladrão

Nosso país deu o Noel e Pixinguinha
Deu Lampião e Gonzagão rei do baião
Deu Padre Cicero, Rei Barbosa e Rei Pelé
Falem mal de quem quiser,
Mas o Brasil ainda é melhor

Não fale mal do meu país
Da minha gente e esse povo varonil
Fale da França, da Italia ou da Espanha
Da Russia ou da Alemanha,
Mas não fale do Brasil

Não fale mal do meu país
Da minha gente e esse povo varonil
Fale da França, da Italia ou da Espanha
Da Russia ou da Alemanha,
Mas não fale do Brasil
Pois é, eu não sei qual texto é mais ufanista (e idiota): Aquela "carta" ou essa "música"?

Analisando essa "música", assim como eu fiz com aquela "carta":
Não fale mal do meu país
Da minha gente e esse povo varonil
Fale da França, da Italia ou da Espanha
Da Russia ou da Alemanha,
Mas não fale do Brasil
Ué? Brasil ame-o ou deixe-o? Por acaso os milicos voltaram ao poder e não me disseram nada?

E essa estrofe horrível só e repetida 2563748292 vezes.
O mundo inteiro está com dor de cotovelo
Porque somos tetracampeões no futebol
Nossa! Imagino a inveja que as outras nações têm do Brasil por ter uma seleção tetracampeã no futebol.

Aliás, quem escreveu essa "canção" está um tanto atrasadinho. A seleção já é pentacampeã.

Antes que me chamem de elitista ou de pseudointelectual, eu digo: Eu gosto de futebol e de esporte, assisto eventos esportivos na televisão, mas vamos falar a verdade: Ser tetra, penta, hexa ou n vezes campeão mundial no futebol, vôlei, basquete, rugby, punheta, siririca ou qualquer outro esporte não contribui em NADA para o crescimento e progresso da nação. Por acaso quando o Brasil foi pentacampeão no futebol a sua vida melhorou? Você ficou mais rico? Melhorou a distribuição de renda no país? Diminuiu a violência? A corrupção? A fome? A pobreza?

E adianta muito ser campeão no futebol se na educação o Brasil sempre fica na lanterninha. Competição essa que, realmente, contribui com o avanço e progresso de uma nação.

Uma coisa assim só reforça o estigma de "o país do futebol" que tem o Brasil.
O recife é a capital do Frevo
Caruaru é a capital do forró
Aí tudo bem, eu concordo.
São Paulo e Rio é berço de musicas sertanejas
Desde quando o Rio de Janeiro é berço do sertanejo? Quanto muito o Rio de Janeiro é berço daquela bosta do Funk carioca.
Belém do Pará é a capital do carimbó
E a Bahia é o Olundo e Afoxé
Novamente, eu concordo. Tem que valorizar a cultura nacional.
Falem mal de quem quiser,
Mas o Brasil ainda é melhor
De novo, Brasil ame-o ou deixe-o.
Não fale mal de um país igual ao nosso
Porque existe um pouco de inflação
Agora existe um pouco de inflação. Mas e a 20 ou 30 anos?
Em toda parte do mundo existe favela
É, realmente existe favela na Suécia, Alemanha, Inglaterra, França.
Meninos de rua, corrupição e ladrão
Meninos de rua? Vá até Cuba ver como existe menores de rua lá. Va lá ver como um país que quase não tem dinheiro para nada conseguiu combater esse problema. E antes que digam, comunista e paga pau de Cuba é a mãe.

Ladrão? Realmente, existe ladrão em qualquer país. Mas também existe punição.

CorruPIção??!! Pelo que eu saiba, corruPÇão existe sim em qualquer país, mas também existe punição, se não da justiça, dos eleitores. Agora, corruPIção? Por acaso também existe analfabetos em outros países?
Nosso país deu o Noel e Pixinguinha
Mais uma vez, concordo que a cultura tem que ser valorizada.
Deu Lampião e Gonzagão rei do baião
Não sei até que ponto Lampião representa o Brasil, mas...
Deu Padre Cicero, Rei Barbosa e Rei Pelé
Não sei como Padre Cícero representa o país. A única coisa que "Padim Ciço" faz é ser seguido por um rebanho religioso e acéfalo.

Rei Barbosa? Não seria Ruy Barbosa? Aprenda a escrever antes de querer fazer uma música.

Rei Pelé? De novo reforçando o estigma de "o país do futebol".

E aí aparece aquele refrão repetido ad nauseam.

De novo, faço a pergunta: Quem consegue ser mais ufanista (e idiota)? O autor daquela "carta", ou o autor dessa "música"?

Ericsson distribui "lap tops" gratuitamente. Será?

Recebi a umas horas atrás, por e-mail, uma mensagem de um amigo meu alertando sobre a distribuição gratuita de "lap tops" por parte da Ericsson. Deem uma olhada na mensagem abaixo:

Vamos lá não custa tentar!!
Assunto: DISTRIBUIÇÃO DE NOTEBOOK

A empresa Ericsson está distribuindo gratuitamente 'lap tops' com o objetivo de se equilibrar com a Nokia, que está fazendo o mesmo. A Ericsson deseja assim aumentar sua popularidade. Por esse motivo, está distribuindo gratuitamente o novo Lap Top WAP.

Tudo o que é preciso fazer é enviar uma cópia deste e-mail para 8(oito) conhecidos. Dentro de 2 (duas) semanas você receberá um Ericsson T18.

Se a mensagem for enviada para 20 (vinte) ou mais pessoas, você poderá receber um Ericsson R320..

Importante!!!

É preciso enviar uma cópia do e-mail para Anna.swelung@ericsson.com

Não é trote. Funciona.
Que legal! Nunca ninguém fez isso para a gente! E para receber esses "lap tops" basta... enviar essa mensagem para outras pessoas??

Espera um minuto. Esse negócio de enviar tal mensagem para outras pessoas eu já vi várias vezes e SEMPRE era mentira. Será que essa também é?

Dando uma analisada melhor na mensagem, podemos ver que se trata de mais um hoax (embuste, ou mentira mesmo). Por quê? Vejamos:
  • Primeiramente que não existe mais a Ericsson. O que existe é Sony Ericsson.
  • Segundo, desde quando a (Sony) Ericsson e a Nokia distribuem notebooks? Aliás, desde quando essas duas empresas produzem notebooks?
  • Outra, desde quando a Nokia decidiu distribuir qualquer coisa de graça? Desculpa, mas a Nokia não é ONG e não se tornou uma das maiores empresas do mundo dando coisas de graça.
  • Outra coisa, a Sony Ericsson deve estar muito bem para dar vários aparelhos de graça, não é mesmo? Além do "Lap Top" WAP (??) também vai dar um celular Ericsson T18. E dependendo da quantidade de e-mails enviados, também vai dar um Ericsson R320. Que empresa mão aberta. Tudo bem que sejam celulares antigos e ultrapassados, mas mesmo assim é um mimo.
  • Como que a empresa saberá que enviei tantas vezes a mesma mensagem? Só se visse os meus e-mails, mas aí é invasão de privacidade.
  • Mais uma coisinha, quem é doido de enviar uma mensagem para uma pessoa que não conhece?
Fazendo uma pesquisa despretensiosa no Google, os primeiros 10 resultados retornados são de textos advertindo a respeito da mentira que é essa mensagem. Inclusive a própria Sony Ericsson já advertiu sobre esse e-mail, e disse que a tal funcionária encarregada de receber os e-mails não existe. Aliás, se existisse mesmo, coitada dessa mulher que ia receber uma tonelada de e-mails.

Fui consultar os maiores repositórios de hoaxes e mentiras da Internet e essas histórias constam lá, tanto no Quatro Cantos, como no E-farsas. Um detalhe interessante desse hoax é que ele surgiu em 2000 (!!!), ou seja, há 9 anos essa mensagem circula de caixa de entrada em caixa de entrada de usuários ingênuos. Isso explica a Ericsson "querer dar" dois modelos de celulares antigos e ultrapassados. Como todo hoax, já sofreu mutações e adaptações. A última mutação (essa versão dizendo que distribui "lap tops") surgiu em 2006.

Portanto #fikadika:
  • Empresas não são ONGs e não têm um setor de filantropia. Nunca empresas distribuem o que quer que seja de graça. A menos que seja uma promoção.
  • Se uma empresa quer bater seus concorrentes, não vai ser dando coisas de graça. Ou ela vai investir em propaganda e em marketing, ou então vai usar a mão de obra dela para produzir produtos melhores e de maior valor agregado.
  • Jamais uma empresa vai dar coisas de graça para ganhar mais popularidade. Empresas não são celebridades no Twitter que dão mimos para ter mais seguidores.
  • E o principal. Se alguma coisa parece boa demais para ser verdade, pode ter a certeza de que é.

Opiniões mudam, não e mesmo?

Se você não esteve em Marte, provavelmente sabe que o senado enfrenta uma crise moral jamais vista antigamente. Atos secretos, "funcionários" que eram parentes de políticos e que recebiam "salário" sem mesmo ir à Brasília trabalhar, mau uso das verbas indenizatórias, funcionários públicos que não sabiam que eram diretores, criação de cargos públicos na calada da noite, estudantes que apanham de policiais no senado em protesto absolutamente pacífico, conselho de "ética" que não pune ninguém e arquiva quaisquer protestos ou representações e senadores covardes que ameaçam renunciar aos seus cargos. Enfim, para você que esteve em Marte, ou então já se esqueceu de tudo, essas foram algumas coisas que aconteceram no senado brasileiro nesses últimos meses.

E toda a culpa por essa crise moral caiu sobre o seu presidente, o dono do Maranhão que se elegeu pelo Amapá, José Sarney. Gente querendo a todo custo a renúncia imediata de Sarney como a solução para toda essa crise moral, como se só ele fosse desonesto, ou então gente querendo, logo de cara, a explosão e fechamento da casa legislativa, alegando que nenhum senador presta, mas se esquecendo de onde veem os senadores.

Falando agora da crise do senado. Os partidos da oposição (em especial PSDB e DEMo) se uniram numa representação, liderada pelo PSOL, contra os arquivamentos do conselho de ética. Como era de se esperar, não deu em nada.

Pois bem, um desses partidos da oposição (o DEMo) que hoje quer a investigação de tudo de podre no senado e de tudo que envolva Sarney, já vibrou com a eleição do atual presidente do senado, alegando que a vitória na eleição seria uma solução para a crise que o Brasil enfrentava e um bom resultado para a casa.

Para quem acha que eu bebi ou tive alguma alucinação lisérgica podem ver isso que eu disse na imagem abaixo:

Pois é. Como as opiniões mudam. Ainda mais na esfera política.

E depois eu sou preconceituoso.

Nesses 18 meses em que criei esse blog, uma coisa que eu nunca fiz questão de esconder e que, sempre que pude eu mostrei, é que eu não gosto de funk (o carioca, não o funk original, criação do saudoso mestre James Brown).

Aliás, não é questão que eu não goste. Eu não suporto essa merda. Acho esse "ritmo musical" de um mau gosto terrível e de uma pobreza sem igual.

E outra coisa que eu digo a respeito do funk é que quem gosta desse tipo de "música" é meretriz (na verdade eu queria dizer puta, mas eu acho que estou escrevendo palavrão demais aqui no blog) ou então é o cara que a gerencia (eu queria dizer cafetão, mas pelo mesmo motivo anterior não disse). Digo isso aqui no blog e em outras redes sociais das quais eu sou cadastrado.

E lógico, por dizer isso, sou bombardeado pelos mais diversos adjetivos. Idiota, ignorante, preconceituoso, nojento, racista, moralista, babaca, pseudointelectual, machista, falso puritano, antiquado, fascista, nazista, quadrado, elitista, entre outros. Em outros lugares eu não posso fazer nada, mas aqui no blog eu tenho o poder de desmaterializar textos. Em outras palavras, posso remover comentários.

Pois bem, para todas as pessoas que já me deram esses adjetivos, gostaria que ouvissem e apreciassem uma obra-prima do funk carioca. Para apreciar a tal obra-prima, é só clicar nesse link. Vejam que manifestação cultural é o funk carioca. Manifestação essa de muito bom gosto.

Gostaria muito que aqueles que me chamaram de preconceituoso por eu dizer que acho o funk carioca uma tremenda putaria, por eu achar que o funk carioca não tem nada de cultura e por achar que é coisa de puta e cafetão assistissem esse espetáculo deprimente. Assistam e depois venham falar se eu sou realmente preconceituoso.

E quem vier aqui encher o meu saco terá o comentário removido. Lembrem-se de que aqui eu tenho o poder de desmaterializar textos.

Denúncia!! Ministério do trabalho ofende usuário de Internet.

Essa foi uma notícia que tomei conhecimento a alguns minutos atrás.

Um absurdo! O ministério do trabalho, responsável por gerir e proteger os direitos dos trabalhadores manifestou-se de forma ofensiva contra um usuário de Internet. O ministério do trabalho chamou um usuário desempregado de vagabundo.

Maiores detalhes sobre essa ofensa, sobre esse absurdo, sobre esse acinte, podem ser vistos acessando esse link d'O Globo.

Ok, falando sério agora. Sim, foi por causa dessa bobeirinha que está na notícia que o tal economista desempregado se sentiu ofendido e atacado.

Será que alguém poderia explicar para o economista o que significa captcha e, principalmente, explicar que o captcha e o minisitério do trabalho não têm informações sobre a vida dele. Explicar para ele que eles não são o Big Brother. O personagem do livro 1984, não aquele programa idiota.

Os links da semana.

Assim como eu fiz a um tempinho atrás, vou divulgar uma lista com alguns textos de blogs. E vai ser pelo mesmo motivo que eu fiz o anterior que foi a falta de tempo e de assunto em escrever mais textos o fato desses textos terem me chamado bastante a atenção.

Aí vão eles:
É isso.

¹ - Sim, eu sei que falar mal da Gurgel é pedir para ser xingado. Mas a bem da verdade é que os carros da Gurgel são feios mesmo. Especialmente aquele protótipo de carro-forte (ou tanque de guerra) que é o X-15. Ô coisa horrorosa!

Quer uma vaga na universidade pública? Chame Sílvio Santos.

Que o vestibular tem as suas incoerências, isso é verdade. Que o vestibular tem seus críticos e que tem muita gente que gostaria de que o exame fosse substituído isso também é verdade. Mas, se for substituir o vestibular, qual seria a maneira de se fazer a seleção dos alunos a ocuparem as vagas das universidades públicas?

Claro que a opção seria o sorteio. Óbvio. Especialmente para o professor da UNICAMP, Rubem Alves.

Não, eu não estou mentindo. Confira numa entrevista publicada pela revista Época (não me lembro qual edição):
* ÉPOCA - Mas os alunos precisam ter conhecimentos básicos em áreas como Matemática, Biologia ou Química, não?

* Alves - Para quê? Para passar no vestibular? Para esquecer tudo? Quem disse que tem de aprender isso? Por que eu tenho de aprender logaritmo neperiano? Não conheço ninguém que tenha usado isso. Se por acaso eu for precisar um dia na minha vida, estudo e aprendo. Não preciso me preocupar com isso na escola. E as pessoas não se dão conta de que todo esse conteudismo é perdido. Não sobra nada. Uma amiga minha, professora de Neuroanatomia na Unicamp, dizia que os piores alunos que ela tinha eram esses que apareciam em outdoors de primeiro lugar. Porque quando ela explica anatomia, um assunto cheio de complexidades, sempre tinha um que levantava a mão e perguntava: ''Professora, qual é a resposta certa?''. Ou seja, ele não entendia que esse negócio de ter sempre uma alternativa certa não existe. No
caso do médico, com um doente terminal, o que ele faz: Dá morfina ou continua com a quimioterapia? Não há resposta certa. É preciso aprender isso. E essas coisas não são ensinadas.

* ÉPOCA - O senhor chegou a pregar o fim do vestibular. Por quê?

* Alves - Já preguei, e quando falo nisso as pessoas acham que estou brincando. Quando eu era pró-reitor de graduação da Unicamp, queria um vestibular que avaliasse a capacidade de pensar dos alunos, e não a memória. Um professor me disse: A solução mais fácil é o sorteio. Dei uma gargalhada. Mas comecei a pensar e vi que é isso mesmo. A primeira coisa do vestibular que me morde não é decidir quem entra ou não na universidade, mas a sombra sinistra que ele lança sobre tudo o que vem antes. As escolas são orientadas para o vestibular, e os pais logo de saída querem as escolas fortes para os filhos passarem no vestibular. A primeira conseqüência de ter o sorteio é que as escolas seriam livres para ensinar. Elas não precisariam preparar os alunos para o vestibular. Então, as pessoas poderiam ouvir música, ler e
fazer o que quisessem. Seria a libertação das escolas para realmente ensinar. Em segundo lugar, acabariam os cursinhos. Se tiver sorteio, ninguém pode reclamar. Sorteio é sorteio. Acabaria o sofrimento psicológico dos alunos, que têm a auto-imagem destruída. Também acabaria o conflito entre pais e filhos.

* ÉPOCA - Mas um vestibular por sorteio poderia ter muita injustiça?

* Alves - Várias pessoas me dizem isso. Claro que poderia, mas não do tamanho da injustiça que existe no atual sistema de vestibular, que nada mais é que uma grande perda de tempo, de dinheiro, de inteligência e de conhecimento. Também me perguntam se qualquer aluno, sem o menor preparo, poderia entrar na universidade. Respondo que não. Haveria no final do ensino médio um exame no país inteiro para verificar se os alunos atingiram um ponto mínimo exigido. E não seria classificatório. Quem passasse poderia participar do sorteio. Quem fosse reprovado poderia refazer a prova depois.

* ÉPOCA - É polêmico...
* Alves - Não acho, não. Acho que é uma solução óbvia. É mais inteligente que o modelo que existe atualmente. E menos danosa.
Se não fosse a proposta de se fazer sorteio, a entrevista seria perfeita, pois tem muitas coisas interessantes e verdadeiras. Mas a proposta de se fazer sorteio estragou a entrevista por inteiro. Quer dizer então que, para concorrer a uma vaga numa universidade, chama-se o Sílvio Santos para fazer o sorteio das vagas. E aí, alea jacta est, é só cruzar os dedos e ficar aguardando?

Por sorte, uma proposta dessas não tem a mínima chance de passar adiante, muito menos de se concretizar.

Com relação ao que eu penso, tenho de reconhecer que o vestibular tem os seus pontos negativos e positivos. O principal ponto positivo é a meritocracia, ou de ganhar algo (no caso, uma vaga na universidade) por merecimento e também tem o fato de ser um método imparcial de seleção; não se olha o nome, ou sobrenome da pessoa, olha-se apenas o que a pessoa sabe (e realmente, não é levado em conta o nome do candidato). Mas, em compensação (e aí eu dou o braço a torcer para que o professor Rubem Alves disse), gasta-se muito dinheiro, expõe o candidato a uma carga emocional muito forte, privilegia os alunos de escolas particulares (a ponto de ter que criar cotas), privilegia mais a capacidade de memorização do candidato.

Sem contar o fato de que as escolas se "adequam" ao vestibular e ensinam aos alunos apenas o necessário e suficiente para se fazer uma boa prova de vestibular; enquanto que matérias e assuntos mais importantes para o dia-a-dia dos alunos e que transformem o aluno numa pessoa mais crítica não são lecionadas pelas escolas, porque não cai no vestibular.

Só que vestibular é quase igual ao capitalismo. Tanto um como o outro privilegiam algumas pessoas, tem as suas coisas boas, como as suas coisas ruins, mas as coisas ruins são mais visíveis e notórias, todo mundo sempre tem uma crítica para fazer contra ambos, só que ninguém achou algo melhor que os substituíssem.
 

Eu sei quem você é

Em sei quem você é, de onde você é o que você está usando para acessar a Internet. Duvida? Então toma:


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