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Eis aí a minha resposta

Recebi de algumas pessoas um texto falando de um deputado (deputado Cláudio Cajado, do DEM da Bahia) que, assim que assumiu o cargo de procurador da Câmara dos Deputados, baixou uma norma para banir da Internet todo material que seja "ofensivo", "depreciativo", "calunioso", "injurioso" ou "difamatório"  aos nossos digníssimos, honrosos, prestimosos, maravilhosos e valorosos políticos. Para mais informações, leia esse texto aqui (sim, é da Veja. É da Imprensa Golpista™).

A maior parte das mensagens que eu recebi falando dessa notícia foi com um tom de "Vai, fala alguma coisa agora", "O que você tem a dizer disso?" e outras frases com um tom "desafiador", já que eu tiro um sarro danado desse pessoal que se "mobiliza demais pela Internet e de menos na vida real" (vocês sabem, né? Os sofativistas). Bem, para quem me mandou esse texto, aqui vai a minha resposta, com bastante atraso. Ela tem duas partes.

A primeira parte. É óbvio que sou contra a essa medida. Não passa de censura e é inaceitável qualquer tipo de censura em democracias, ou mesmo em pseudodemocracias que querem que a gente acredite que são democracias.

E vindo de quem vem, essa medida não me surpreende nem um pouco. O deputado é do "democratas", aquele partido que já foi PFL, PDS e, voltando mais um pouco no tempo, Arena, o partido de sustentação da Ditadura Militar. Só no Brasil que um partido que apoiou uma ditadura muda de nome para "democratas". E ainda mais que vem do DEM/PFL/PDS/Arena da Bahia, o partido do Toninho Malvadeza. Aí é que não me surpreende mesmo.

Mas que nenhum petista, governista ou qualquer outro aliado do governo queira usar esse meu texto para panfletagem. Eu sei o que vocês andam aprontando nesses últimos dias, tá lei Carolina DieckmanPEC 33/2011 (com direito ao criador dessa excrescência, que também criou o excelente projeto de lei limitando o quanto as pessoas devem consumir, querer a cassação do Joaquim Barbosa) e PEC 37/2011, que visa acabar com uma das poucas coisas que ainda funciona nesse país, o Ministério Público.

Bem, é isso o que eu tinha a dizer. Certamente após eu ter escrito isso, alguém deve estar pensando...
"Ah, Lucho. Quer dizer agora que você vai começar a defender o sofativismo?"
NÃO!! Não vou começar e não estou defendendo o sofativismo e muito menos vou virar um sofativista. E aqui está a segunda parte da resposta. Se eu defendo o direito de alguém se expressar, significa que eu concordo com a pessoa, com aquilo que ela fala ou com aquilo que ela defende? Sabe o que um tal de Voltaire disse a (ou há? Sempre me confundo) uns 200 ou 300 anos atrás? Então, é o que se aplica aqui. Se tem gente que acha que revolução de sofá vai ter alguma serventia e algum resultado, deixa o pessoal fazer a revolução de sofá deles. Até porque, é mais material para eu me deliciar e me divertir. :-)

E outra, há casos em que ações cyberativistas que não foram revoluções de sofá e tiveram resultados práticos efetivos. Eu mesmo já dei o braço a torcer uma vez (aliás, duas vezes). Ou mesmo aquelas ações que não tiveram resultado prático, porém serviram como ferramenta de conscientização, como o Nihil escreveu uma vez (infelizmente o Nihil acabou com o blog e fechou todas as contas que ele tinha. Mas graças a Deus existe o archive.org e graças a Deus o texto que ele escreveu foi indexado pelo site. É esse aqui).

E me surpreende que uma medida como essa tenha sido tomada. Sinal de que eles estão se sentindo um pouco "incomodados" com a Internet. E é aí que está a minha surpresa. Eu sempre achei que os políticos cagassem para o que dizem deles na Internet. Ainda mais depois que milhares (milhões?) de pessoas gritaram #forasarney na Internet e nada aconteceu com o oligarca maranhense e depois que o Renan Calheiros disse que estava se lixando para o abaixo-assinado contra ele. Será que isso é um indicativo para que eu comece a mudar a minha opinião a respeito das revoluções de sofá? (Resp.: Não).

E, de novo, a implicante e esquizofrênica perseguição dos políticos de terra Brasilis contra o Google. Desde a época do finado Orkut (tinha que ser esse inútil senador crente), passando pela prisão do presidente da Google do Brasil (iG é da Imprensa Golpista™?) e chegando a essa medida desse deputado (perceberam que pediram para que se retire material do Orkut, Picasa, Blogger, YouTube e até mesmo do buscador?). Isso sem contar o Brasil é o país que mais pede para que se remova materiais postados em serviços da Google. Vai chegar uma hora que o pessoal de Mountain View vai se cansar dessa perseguição e vai fechar os escritórios que a empresa têm no Brasil. Pois parece que é isso que os políticos querem.
 

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