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Paulo Freire ainda vive. Infelizmente

É essa a conclusão a que eu chego após ter visto uma entrevista cujo título é "É possível fazer educação de qualidade sem escola". Quem disse isso? Um tal de Tião Rocha, apresentado na entrevista como "educador (!!!!!), antropólogo e uma das principais referências (!!!!!!!!!!) em ensino". Sim, é apresentado como uma das maiores referências no ensino. Se isso é referência no ensino, vejo que o nosso futuro será negro. Quer dizer, será afro-descendente. Voltaremos à Idade Média. No caso do Brasil, estaria mais para Idade Mérdia.

Só isso já estaria de bom tamanho, mas tem mais coisa. Até porque eu também não escreveria nem publicaria um texto de um único parágrafo. Aguentem o tranco e segurem-se em suas cadeiras porque vem mais coisa. Aí vão as pérolas (os grifos são meus):
"[...] educação se faz com bons educadores, e o modelo escolar arcaico "aprisiona" e há décadas dá sinais de falência. [...]"
Puxa, precisou de uma "referência em ensino" para dizer o que todo mundo já se sabe. O modelo escolar "arcaico" dá sinais de falência? Agradeça ao seu mentor intelectual, Paulo Freire.
"[...] Não precisamos de sala, precisamos de gente. Não precisamos de prédio, precisamos de espaços de aprendizado. Não precisamos de livros, precisamos ter todos os instrumentos possíveis que levem o menino a aprender [...] "
Não precisamos de livros? Então está bem, V. Sa. "referência em ensino". Bradbury deve estar em seu túmulo falando "Eu disse, não disse? Eu disse". E também não precisamos de prédios? Vai ver que é por isso que querem demolir aquela excelente escola que fica próxima ao Maracanã. É porque o senhor doutor "referência em ensino" acha que a gente não precisa de prédios para dar aula.
"[...] E é isso que o educador tem feito nos últimos 30 anos, desde que teve "um clarão" e deixou o emprego de professor na Ufop (Universidade Federal de Ouro Preto) para fundar o Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento, organização não-governamental sem fins lucrativos, criada em 1984 [...]"
Cheguei até essa parte do texto e eu já estava me perguntando como é que ele sobrevive? Aí está a resposta. Ele criou uma ONG. Claro, uma ONG sem fins lucrativos e nem um pouquinho governamental (já que o próprio nome dela diz isso). Claro, sei muito bem. Precisava saber pois, até mesmo uma "referência em ensino" também almoça.
"[...] Tião iniciou um projeto pedagógico baseado no uso da cultura local como matéria-prima do ensino e na proposta de que a educação acontece em qualquer lugar. E foi debaixo de um pé de manga que a pedagogia da roda começou [...]"
Tinha que ter pedagogia no meio. Era óbvio. E isso de lecionar embaixo de um pé de manga, isso deve ter inspirado os nossos políticos a não construir escolas e fazer os professores lecionarem os alunos debaixo de uma árvore. Agora eu entendi o porquê de acontecer isso.
"[...] Sua proposta de uma educação mais livre já atingiu mais de 500 educadores e 20.000 crianças. O projeto é reconhecido internacionalmente e foi levado a Moçambique e Guiné Bissau [...]"
E como todos nós sabemos, os dois países tornaram-se hiperpotências políticas, econômicas, educacionais, tecnológicas e militares. Esse projeto realmente é muito bom.
"[...] Nós comprovamos que é possível sim fazer educação de boa qualidade sem escola, em qualquer lugar [...]"
Comprovaram sim, basta ver que o maravilhoso projeto foi levado para Moçambique e Guiné-Bissau e basta ver o que os dois países se transformaram.
"E aprendemos também que só podemos fazer boa educação se tivermos bons educadores."
Bons salários, material didático de qualidade, salas em perfeitas condições e com poucos alunos não passou pela cabeça da "referência em ensino"? Dã, que pergunta idiota essa que eu fiz. Para quem dá aula debaixo de pé de manga, ele não vai se preocupar com salas. Para quem disse que "Não precisamos de livros", ele não vai se preocupar com material didático. E para quem criou uma organização "não-governamental" e "sem fins lucrativos", ele não vai se preocupar com salários de professores.
"Bons educadores são aqueles que geram processos permanentes de aprendizado e não repassadores de conteúdo [...]"
Demorou para aparecer os devaneios piagetanos e paulofreiristas.
"[...] As escolas vão continuar com seis aulas de matemática e nenhuma de cidadania, solidariedade ou artes [...]"

"[...] Não podemos ter um modelo como a escola, que deixa a maioria para trás, aproveita o mínimo e vai "informando gente que não é crítica, que não pensa, que não age, que não é bom cidadão" [...]"
Mais devaneios piagetanos e paulofreiristas. E esse negócio de "bom cidadão" me lembrou aquela vaga de emprego de TI em que o candidato a vaga tinha que ser engajado e politizado, mas ao mesmo tempo tinha que ser bicha bondoso e amável. A vaga era para trabalhar no Instituto Paulo Freire (surpresos?).
"[...] "Ah, é porque eles precisam vencer na vida': Vencer na vida é o quê? É ganhar dinheiro, virar classe média alta? [...] "
Verdade, não precisamos ganhar dinheiro e virar classe média alta (e aqui não falo da "classe média alta" que o governo acha que é classe média alta). Poderíamos virar as hiperpotências Moçambique e Guiné-Bissau.
"[...] Se é pra ser feliz, eles tinham que ter mais música, mais poesia, mais solidariedade. E menos matemática, menos química. [...]"
Químicos e matemáticos são pessoas infelizes e fazem as pessoas ficarem infelizes. Pensando bem, dessa vez eu concordo com a "referência em ensino". Não fosse pela química, não saberíamos o que são reações químicas, não saberíamos qual a reação química responsável por fazer o papel e não existiria papel para essa "referência em ensino" escrever esse monte de merda. E se não fosse pela matemática, não existiriam coisas como estatística, probabilidade, criptografia, geometria e computação. E não fosse pela computação, não existiria computadores e scanners, não existiriam pessoas para digitalizar esse jornal e eu não teria lido esse monte de merda.

Verdade V. Sa. "referência em ensino". Malditos sejam os químicos e matemáticos e malditas sejam a química e a matemática que só nos fazem ser infelizes.

Para quem acha que isso é invenção da minha imaginação doentia, digo que não, não é. A entrevista com a "referência no ensino" pode ser vista (e lida) aqui. E aqui o resultado desse modelo de merda pogreçista de educação proposto por V. Sa. "referência em ensino".
 

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