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Realidade, essa implacável destruidora de ilusões

Eu comecei a usar a Internet em meados de 1998, portanto já se vão 16 anos. E quando comecei a usar a Internet, comecei a nutrir certas expectativas a respeito do que a Internet faria no futuro. E com a tal da Web 2.0, essas perspectivas ganharam ainda mais força. Acontece que a realidade (ah, a realidade, essa danadinha) estava pouco se lixando para o que eu achava que aconteceria no futuro e tratou de tratorar essas expectativas que eu tinha e as transformou em desilusões. Abaixo as expectativas que foram transformadas em desilusões por culpa da realidade:
"A Internet vai acabar com a televisão e jornais e tomar o lugar deles."
Não nego que jornais, revistas, televisões e rádios tiveram um baque nesses últimos anos. E não nego também que em parte foi sim, por causa da Internet. Eu falei disso. Agora, acabar com televisão, rádio, jornais e revistas (que o pessoal "muderninhu" gosta de chamar de "velha mídia" de forma jocosa e pejorativa)? A verdade é que eles ainda continuam aí, alguns usando da Internet para publicar programas passados antigamente. E o mais importante, continuam aí, com um grande poder de influência.

Além de que, um dos principais portais de notícias da Internet é do mesmo conglomerado do principal jornal em circulação do país e outro grande portal de notícia pertence a um conglomerado que está presente em tudo quanto é mídia (TV aberta, TV paga, jornal, revista, rádio, provedor de Internet, editora de livros, gravadora, operadora de TV a cabo).

E quanto a falar que a televisão está com os dias contados, há pelo menos 15 anos que eu ouço que a televisão está com os seus dias contados.
"A Internet vai estimular e melhorar a leitura e fazer com que se leia mais livros."
Foi feita uma pesquisa que mostrou que a Internet não estimula a leitura de livros. Ao contrário, piora a situação. Meio óbvio, afinal de contas a molecada passa tempo demais na Internet e tempo de menos lendo livros.

E agora com a consolidação da "geração Twitter", aquela geração que considera frases de 140 caracteres como textos completos, a tendência é a leitura diminuir e piorar ainda mais.
"A Internet vai servir para melhorar o desempenho escolar dos alunos."
Um dos meus primeiros textos foi a respeito de uma pesquisa feita há bastante tempo por professores da Unicamp mostrando que, não só computador com Internet não melhora o desempenho escolar, como em alguns caso pode piorar. E muito. Também era óbvia essa constatação. E a explicação é a mesma que foi dada para o caso da leitura. Tempo demais na Internet e tempo de menos estudando.

Além disso, como o pessoal está escrevendo cada vez menos a mão e cada vez mais com teclado, o aprendizado e a retenção de conteúdo e de conhecimento tem ficado cada vez pior. Sim, existem pesquisas científicas mostrando os benefícios de se escrever a mão e os malefícios de se escrever usando apenas teclado [1] [2] [3] [4] [5] [6] [7].

E sem contar que a molecada folgada fica usando esses sites de perguntas e respostas para que os outros façam o seu dever de casa. Aí é que o desempenho escolar não vai melhorar mesmo.
"A Internet vai fazer com que se escreva mais e melhor."
É mesmo? Então deem uma olhada no Facebook, Yahoo Respostas, Twitter, blogs e área de comentários de blogs, portais de notícias (isso para quem for masoquista) ou de vídeos de Youtube (isso para quem for MUITO masoquista), ou então se lembrem do finado Orkut, para vocês verem como a última flor do Lácio tem sido agredida impiedosamente. O que é óbvio, se a leitura é ruim, a escrita também será ruim. Parece até que o pessoal desaprendeu a escrever. É gente confundindo "mas" com "mais", "agente" com "a gente", "me" com "mim" (ver analfabeto escrevendo "mim ajuda" dói no útero), escrevendo "concerteza"/"conserteza"/"consertesa".

Inclusive, como foi dito uns parágrafos acima, com o fato do pessoal usar cada vez menos caneta e lápis e cada vez mais teclado para escrever, não só a escrita é ruim como também é feia. Não bastam apenas os erros de ortografia e concordância, é cada garrancho que se vê por aí. Vai ter que voltar com as aulas de caligrafia.

Mas vai você querer fazer alguma correção ou citar algum erro de ortografia. Chamam-te de classista, elitista, esnobe, reacionário (pois é. Ser reaça agora é escrever direito) e grammar nazi (oi Godwin, tudo bem?).
"A Internet vai fazer com que a pessoa aprenda mais sobre tudo e aumentar a sua bagagem cultural."
Se a Internet tem feito com que se leia cada vez menos e com que se escreva menos e pior, chega-se a conclusão que ela não vai melhorar o aprendizado da pessoa. Além de que, com a criação dessa variação anômala da língua portuguesa criada por mongoloides analfabetos chamada miguxês e com a inundação de informações e com a facilidade que é para buscar essas informações, acabamos por destreinar o cérebro e usá-lo como um "Plano B". Aí não tem como não emburrecer.


Internet vai servir para aprender sobre alguma coisa para aqueles que querem realmente aprender alguma coisa (estou preparando uma série de textos com esses sites para se aprender alguma coisa. Aguardem). Agora se a pessoa é estúpida, a internet só vai contribuir para que ela fique ainda mais estúpida.
"A Internet vai servir para mobilizar e politizar o cidadão."
O que poderia ser usado como uma grande ferramenta para fazer com que uma pessoa se mobilizasse mais, saísse mais às ruas, deixasse de ser acomodada, apática, bundona, moloide e covarde ou pelo menos tirasse o sujeito da zona de conforto acabou funcionando às avessas. De ciberativismo passou a ser sofativismo e deixou essa pessoa ainda mais acomodada, apática, bundona, moloide, covarde e menos mobilizada.

A Internet vai ajudar a mobilizar e engajar aquelas pessoas que já são mobilizadas e engajadas em algo e que, na falta de Internet, usariam outros meios e ferramentas que estivessem ao alcance. Agora, aqueles que não tem o hábito de se mobilizar e se engajar, Internet não vai adiantar de nada. Não, amiguinho, não considero assinar abaixo-assinado digital ou compartilhar ou curtir determinada imagem como um ato de engajamento.

E também tem o fato de atualmente o pessoal nutrir uma necessidade da porra de autoafirmação e expiação de culpa burguesa e usam de campanhas para mostrar "engajamento" ou que "conhecem" o problema e se "preocupam" e se "empenham" na mitigação do mesmo.

E não se pode esquecer de falar dos blogs políticos que... dispensam quaisquer tipos de apresentação.
"A internet vai fazer com que a pessoa seja mais solidária."
Outra desilusão que foi tratorada pela merda do sofativismo. Foram publicadas duas pesquisas, uma pela Universidade de Michigan e outra pela Universidade de British Columbia que mostra como o sofativismo reduz doações para obras de caridade da vida real (embora tenha gente que odeie essa expressão, eu a uso. Aliás, uso justamente porque tem gente que a odeia).

Além de que, como foi dito acima, o pessoal sente uma necessidade da porra de autoafirmação e de expiação de culpa burguesa e vai mostrar como se preocupa com as crianças famélicas da Miserábia Setentrional do Sul da África do Norte curtindo e compartilhando imagens de crianças esqueléticas no Facebook e retuitar essa mesma imagem no Twitter.

 Sempre tem uma charge do Dahmer que se encaixa.
"A Internet vai propiciar um aumento na quantidade de informações."
Sim, é verdade. Mas e daí? Informação não é conhecimento e quantidade não é qualidade. Não adianta ter bastante informação se a grande maioria é inútil, fútil, idiota, curta, rasa e de rápido consumo. Quando não raro, são informações falsas ou erradas.

Inclusive eu mostrei um vídeo criado pelo pessoal do G17 mostrando como que na sociedade da informação™ há gente tão desinformada.

E com a criação dos sites de fake news (como é o G17, por exemplo), a coisa piorou ainda mais. Mas é óbvio que esses sites não tem culpa de nada, a culpa é dos espertões que desligam o cérebro e que seguem aquela máxima de Machado de Assis de que se está na Internet então é verdade. Ainda mais que essa máxima foi escrita num texto do Luís Fernando Veríssimo (ou teria sido do Arnaldo Jabor?)
"A Internet vai acabar com as gravadoras."
Mais uma desilusão. A Internet serviu bem para procurar novos artistas. E só. Se esses novos talentos quiserem ter algum sucesso, ganhar algum dinheiro e, principalmente, viverem apenas disso, ainda vão continuar a depender da "velha mídia" e do odioso esquema de jabá das gravadoras.

Bom, essas foram as desilusões que a realidade tratou de tratorar. E você? Tinha alguma desilusão que foi arrazoada por essa coisinha chata chamada "mundo real"?
 

Eu sei quem você é

Em sei quem você é, de onde você é o que você está usando para acessar a Internet. Duvida? Então toma:


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