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Alou RAC. Há canais de divulgação científica no Brasil também, viu?

Uma das coisas que gosto de fazer quando estou sem ter o que fazer é ler jornais, revistas e portais de notícias locais. E um dos que mais leio é o portal da RAC (Rede Anhanguera de Comunicação), que publica notícias nacionais e internacionais.

E numa dessas leituras me deparei com esse texto falando sobre os canais de YouTube que fazem divulgação científica. A primeira vista fiquei surpreso com a atitude bacana de ter publicado uma matéria sobre canais de divulgação científica e falando sobre sobre ciência. Ainda mais em se tratando de Brasil, onde a ciência é completa e totalmente negligenciada, ignorada e vilipendiada (e em compensação as pseudociências ganham cada vez mais espaço) e, quando o governo decide fazer cortes de custos, o que entra primeiramente na fila de corte de verba são as pesquisas científicas e o repasse para órgãos que financiam esse tipo de pesquisa. Pois é. Para políticos e burrocratas, ciência é custo e não investimento. E a coisa é tão ridícula que chega ao ponto de alguns cientistas terem de recorrer ao crowdfunding para prosseguir com suas pesquisas, essa buzzword que não passa de uma adaptação para a Internet e para o século XXI para o ato de pedir esmola.

Fui ler a notícia e acabei ficando com a sensação de cobertor curto demais. A notícia do portal da RAC era pura e simplesmente uma tradução de uma outra notícia publicada pela France Press e citou apenas alguns canais estrangeiros de divulgação científica.

Poxa RAC. Não custava ter feito uma pesquisa maior e ter colocado os canais nacionais. De repente, colocar uma sessão "E no Brasil..." com esses canais. E aqui uma nota: Não se trata aqui de nacionalismo exacerbado ou de xenofobia (seja enrustida ou velada), mas sim de reconhecer o que de bom é feito por aqui. Até porque, eu não sou do MV-Brasil, muito menos sou um gaúcho de Panambi que usa Velox e fica enchendo o saco alheio com discursinho patriótico típico de sete de setembro.

Sim, eu seu que pode parecer a uma primeira vista inacreditável, mas o mundo dos vlogs brasileiros não se resume a playboy carioca que se acha o intelectual de óculos escuros e que berra, fala palavrão e xinga feito um filho de mãe solteira (talvez seja por isso que ele berre, xingue e fale tanto palavrão) ou gordo barbudo depressivo e deprimente que a cada cinco palavras que deblatera, quatro são palavrões, baixarias, obscenidades, baixo calão ou demais baixezas do tipo (e a única palavra que não é nada disso é puro senso comum) ou quarentão branquelo liberOtário sustentado pela mamãe ou sofativista mongoloide asmático que só faz berra palavrão e martelar a mesa (por que um dia ele não martela a própria cabeça?) ou outro sofativista de voz fina, nariz de palhaço e olhos esbugalhados que acha que está mudando e revolucionando a política do país e o país porém sequer consegue fazer com que baixe o preço de um mísero ovo de páscoa ou arigó que se acha o fidalgo e se identifica pela Internet com um título de nobreza ou peruquento gaúcho que se acha cheio do bom senso mas é mais um que só sabe propalar senso comum ou patricinha conhecidíssima na Internet e desconhecidíssima fora dela (sabe aquela piada do Banco Imobiliário? Então... Ah! E vai ter um texto sobre isso, aguardem). Por uma questão ética, preferi não falar o nome dessas pessoas. Ao invés disso, preferi fazer essas definições extremamente genéricas e que certamente vocês nem desconfiam de quem eu me referi.

E antes que alguém venha chilicar com o parágrafo acima por causa da repetição da conjunção "ou", saibam que isso não é erro gramatical. Procurem por uma figura de linguagem chamada polissíndeto.

E quais são esse canais? Bem, o Gilmar já citou alguns deles nesse texto. Tem os fantásticos Nerdologia e Manual do Mundo (e que eu sigo, por isso que são fantásticos), os não menos fantásticos Ciência Todo Dia, Neurojoker (ou Ciência e ficção), Minuto Ciência, Academia de Ciências e o Pirulla (acho que o Pirulla só deveria falar sobre ciência, pois quando ele fala sobre religião e política, em especial este, desanda a falar abobrinha. Vejam por si próprios). Até mesmo o André se rendeu ao mundo dos vlogs. Dessa lista do Gilmar só tiraria do ateuzinho-de-fim-de-semana do Yuri Grecco (ausência proposital de link).

Além desses que o Gilmar citou, também há outros como o Jimmy John ou MASPQ, o Bematematica, o Academia de Ciência. E não sendo um canal no YouTube, sobre esse assunto de divulgação científica, me lembrei do episódio 68 do SciCast que falou justamente sobre divulgação científica no Brasil.

Aí RAC. Poderia ter feito uma pesquisa mais aprofundada ao invés de apensa ter feito uma tradução de uma notícia. E antes que digam, eu não estou fazendo uma crítica. Como eu disse mais acima, achei muito bacana essa notícia e até mesmo louvável que se fale sobre ciência num lugar onde ela é tão odiada, ignorada e vilipendiada.

Agilidade é tudo nessa vida.

Apesar de hoje ser feriado, eu acordei cedo. É um hábito que eu tenho. Na verdade é costume. Estou tão acostumando a acordar cedo durante semana que também acordo cedo no fim de semana e nos feriados. E assim que acordei, aproveitei para fazer algumas coisas extremamente arcaicas que remontam aos nossos antepassados das cavernas, que foi ler jornal e assistir a televisão.

E ao assistir a televisão, na Rede Globo estava passando o Bom Dia Brasil e eis que de repente passou uma reportagem falando sobre Internet e escola. Foi feita uma pesquisa pela Universidade de Cambridge mostrando que Internet é um inimigo no desempenho escolar. A pesquisa constatou que, quanto mais horas navegando na Internet, piores são as notas na escola. E a pesquisa disse que não vale compensar o tempo perdido estudando, pois o desempenho continua ruim. A notícia com a pesquisa pode ser vista aqui.
"Tá. E daí? Qual é o problema com essa notícia e com essa pesquisa?"
Ah! Nada demais. Apenas que... há oito anos, aqui no Brasil, foi feita a mesma pesquisa e chegou-se a mesma conclusão de que computador com acesso a Internet pode piorar o desempenho escolar. E no caso da pesquisa feita no Brasil, ainda há uma faceta mais cruel, pois quanto mais pobre é a criança, pior é o desempenho dela. A notícia com a pesquisa feita no Brasil pode ser lida aqui. E, matando a cobra e mostrando o pau, a pesquisa propriamente dita está aqui.

Sim, oito anos atrás. Quase uma década. Isso para a Internet é uma outra era. E os dados para a pesquisa foram pegos do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) dos anos de 2003 e 2004. Mais antigo ainda. Naqueles anos o YouTube ainda estava na garagem, Facebook ainda era uma ferramenta de nerds que achavam que iam comer as garotas da faculdade através da Internet, o Twitter nem tinha sido criado, WhatsApp era ficção científica (aliás, sequer tinha surgido iPhone, Android, Windows Phone e smartphone era penduricalho de luxo de executivos), banda larga e redes móveis eram bem incipientes (eram?), sequer tinha sido criada esta grande faculdade de humanas chamada Tumblr e o finado Orkut recém fora criado pelo turco e não tinha sido comprado pelo Google.

A pesquisa da Unicamp foi feita para cutucar o governo, que acha que inclusão digital é a panaceia universal, que basta dar computador para a pessoa que todos os problemas delas se acabam-se (inclusive a fome - não estou brincando) e na época em que surgiu aquele ridículo programa do OLPC ou um laptop de cem dólares da Xuxa por criança que, obviamente, não deu em nada. Aliás, o "um laptop por criança", quem menos usava eram as crianças, mas sim os adultos. E usavam, para isto mesmo que vocês estão pensando, para ver putaria.

Pois é, OITO anos e eis que fazem a mesma pesquisa e chegam às mesmas conclusões. Isso é que é agilidade. Isso é que é estar por dentro do que é publicado na área. Mas enfim. Será que agora que foi feita uma pesquisa feita pela Universidade de Cambridge mostrando que acesso a Internet piora o desempenho escolar, o governo (e as pessoas também) vai se tocar de que Internet não é solução, mas que a solução é melhores salários para os professores?

Ou será que nessa história também terão retardados que entenderão isso como mais um ataque da imprensa-golpista-burguesa-conservadora-reacionária-autoritária-malvada-feia-chata-boba-elitista-racista-branca-de-olhos-azuis contra a pobre Internet? Pois não importa que foi uma pesquisa feita pela Universidade de Cambridge, ou que há oito anos atrás a mesma pesquisa tenha sido feita pela Unicamp. A pesquisa foi noticiada pela Rede Globo, então só se pode concluir que é mais uma ofensiva da imprensa-golpista-burguesa-conservadora-reacionária-autoritária-malvada-feia-chata-boba-elitista-racista-branca-de-olhos-azuis contra a pobrezinha da Internet, que nem os mentecaptos deste texto que entenderam como ataque da Imprensa Golpista™ contra o Facebook a reportagem falando sobre o pessoal que coloca as suas informações pessoais na Internet de uma forma indiscriminada e quase que irresponsável.

E o Nestor gostaria que eu escrevesse mais texto, eis aí. Escrevi. Venci a preguiça.
 

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