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Vidência é isso aí.

"Eu lembro, eu lembro, do cinco de novembro".

Não, esse texto não será sobre os asnonymous. É que no dia cinco de novembro foi o primeiro dia de mais uma edição do ENEM. E ao contrário dos anos anteriores em que o que mais se falou foi do show dos atrasados e de questões extremamente complicadas que perguntavam o que acontece quando o gelo derrete, neste ano o que mais se comentou foi a respeito do tema da redação.

Não, bando de millennials leite com pera. Infelizmente (para vocês) o tema não foi esse.

O tema da redação foi "desafios para a formação educacional de surdos no Brasil", o que surpreendeu muita gente, que achava que o tema seria "EUA x Coreia do Norte" ou "ideologia de gênero" ou "reforma trabalhista" ou "reforma política" ou "homofobia" ou "bullying e cyberbulling" ou "polarização na Internet" ou qualquer outro assunto batido e surrado à exaustão pela mídia e que já ficou tão chato de se ouvir sobre eles.

Bobinhos. Por que esse pessoal não entrou em contato com alguns videntes da Internet para saber qual seria o tema da redação da prova? Aqui alguns deles que previram qual seria o tema da dita cuja:
Só senti falta do senhor vidento Jucelino Nóbrega da Luz e a senhora videnta Carmel Palmieri que não previram o tema da redação. Será que os poderes mediúnicos, adivinhacionais, premonitórios e para anormais dos dois estão começando a enfraquecer? Assim vou começar a não confiar mais neles.

Deixando de lado poderes premonitórios, adivinhacionais, para anormais, mediúnicos, de vidência e outras picaretagens, do jeito que o pessoal reclamou, a impressão que deu foi que a prova simplesmente jogou o tema assim de maneira seca e pediu para os candidatos desenvolverem o texto do zero quando, como em qualquer prova do tipo, sempre há trechos de textos (que o pessoal que organiza as provas da UNICAMP chama de coletânea de textos) para guiar o candidato (ainda falando sobre a UNICAMP, uma das coisas que zerava redação era não usar a coletânea de textos) já que não dá para saber tudo de todos os assuntos.

Na verdade, o pessoal foi pego de surpresa e reclamou, dizendo que o tema sugerido foi idiota, pois queriam que a redação fosse um daqueles temas surrados ditos alguns parágrafos acima, já que, se bobear, alguns dos reclamões tinham uma redação esquematizada na cabeça prontinha para passar para o papel ou pensaram em usar as merdas que escrevem no facebosta na redação (para depois ficarem revoltados questionando o porquê suas redações foram zeradas).

Idiotice falar sobre formação educacional de surdos no Brasil, senhores reclamões? São cerca de 10 milhões de surdos no país. A lei 10436/2002 estabelece que LIBRAS é a segunda língua oficial do país. A mesma lei 10436/2002 (artigo 4°) e o estatuto da pessoa com deficiência estabelecem a obrigatoriedade de ensino de LIBRAS nos cursos de Fonoaudiologia e de Magistério e também a disponibilização de ensino bilíngue (LIBRAS e português) em escolas e salas de aulas inclusivas e, apesar de existir duas leis sobre isso, o que menos se vê são justamente escolas adaptadas aos alunos surdos (de repente, na redação, poderia ser falado sobre essas duas leis que, para variar, só existem no papel), com escolas jogando alunos surdos nas salas de aula e o professor que se vire para lidar com eles. O negócio é tão absurdo que tem aluno que deixa de fazer curso por falta de condições. Isso para aqueles que conseguem uma vaga num curso, já que a proporção de analfabetos entre os surdos é maior do que entre os não surdos, chegando em alguns casos a 95% da população de surdos. Ainda acha idiotice a escolha do tema, senhores reclamões?

De qualquer forma, aguardemos janeiro de 2018, pois até lá serão divulgados os resultados da prova. E se nesta edição o show dos atrasados foi murcho, o show das redações será um espetáculo, com gente escrevendo redação sobre Braille. E não seria surpresa alguma se não viram o LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais) e acabaram escrevendo sobre astrologia. Além do que, nunca se esqueçam do número mágico: 92%.

E se teve uma coisa que me surpreendeu nessa história toda foi ter falado em "surdos" ao invés de "deficientes auditivos" ou "portadores de deficiência auditiva". De vez em quando é bom mandar o politicamente correto e a linguagem suave dar uma passeada lá pela avenida Vai Se Foder.
 

Eu ainda sei de onde você é

Não sei o que aconteceu que o script do IP Address Location pifou, mas eu ainda continuo sabendo onde você está (especialmente se você estiver numa escola ou universidade pública ou qualquer órgão ou empresa estatal).

Se quiser me xingar, tudo bem, vai em frente, mas seu IP vai ficar registrado. E ai se for de uma escola ou universidade pública ou qualquer órgão ou empresa estatal, pois você estará me xingando e usando meu dinheiro para fazer isso.

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